A radioterapia é um tratamento que utiliza radiações ionizantes. Nos últimos anos, esta modalidade sofreu profundas modificações. As avançadas e precisas técnicas para a administração das doses que são realizadas em modernos equipamentos com alta tecnologia, aliadas a cálculos complexos, feitos por físicos sob orientação dos radioterapeutas, têm como objetivo evitar a exposição do paciente à radiação.
Como numa tentativa de "desviar" dos tecidos e órgãos sadios, atingindo com muito mais precisão o tumor que deve ser destruído, a integração da equipe e os avanços no conhecimento radiobiológico são, também, fatores que contribuem para a diminuição dos efeitos colaterais. Se considerarmos que, hoje, aproximadamente 2/3 dos pacientes com câncer devem fazer radioterapia em alguma etapa do tratamento oncológico, esta é uma preocupação, no mínimo, importante.
A equipe de radioterapia do Hospital A. C. Camargo atua de forma multidisciplinar e integrada com todos os outros serviços do Hospital. Composta por médicos radioterapeutas, físicos e técnicos, conta ainda com o apoio de outras equipes como a enfermagem e a nutrição, por exemplo. Esta união e a especialização dos profissionais no atendimento ao paciente com câncer fazem o diferencial deste serviço.
Existem várias modalidades do tratamento que podem ser administradas antes, depois ou em conjunto com a quimioterapia ou com a cirurgia. As mais comuns são a radioterapia externa (teleterapia) e a de contato (braquiterapia). A teleterapia consiste em aplicações de radiações afastadas do paciente. A braquiterapia é a radiação em contato direto com o tumor do paciente. Para os dois casos são realizadas simulações que definem quais áreas devem ser tratadas e quais devem ser preservadas. A partir de então é feito um planejamento que indica as doses e o período do tratamento.
Vários tipos de planejamento podem ser utilizados, a depender das características de cada caso: Programas bi-dimensionais, tri-dimensionais, de intensidade modulada do feixe, com elétrons de alta energia, etc. Da mesma forma a braquiterapia pode se valer de isótopos de alta taxa de dose para o tratamento ginecológico, da cabeça e pescoço e outras localizações, e sementes radioativas para os tumores oculares e da próstata.
A radioterapia conta, ainda, com o auxílio de informações obtidas pelos exames clínico, anátomo-patológico e de imagem, como o PET-CT, por exemplo, que dá a precisa localização e nível de atividade do tumor. A definição do tratamento (aplicações, doses) é realizada pela equipe multidisciplinar e depende da extensão e localização do tumor. Em todas as situações, o melhor método é selecionado para que a dose se concentre na área do tumor evitando os tecidos normais vizinhos, protegendo os órgãos normais, aumentando as taxas de cura e reduzindo os efeitos colaterais do tratamento.
Inovação
Disponível em poucos centros do país, a radioterapia intra-operatória é uma técnica inovadora que consiste em associar a aplicação de radioterapia à cirurgia, no mesmo ato. Utilizada com freqüência para irradiação parcial da mama, com uma aplicação de dose única, o procedimento substitui as trinta aplicações diárias de radio que deveriam ser realizadas no Hospital. Para viabilizar esta técnica foi projetada uma sala cirúrgica exclusiva na Radioterapia.
Outra novidade, em fase de implantação, é a radiocirurgia, procedimento indicado para tratamento de tumores de difícil acesso no interior do cérebro que permite localizar e tratar as lesões, sem necessidade de cortes.
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A quimioterapia é uma modalidade de tratamento que utiliza medicamentos específicos para a destruição das células cancerosas. Como atuam em diversas etapas do metabolismo celular, as medicações alcançam as células malignas em qualquer parte do organismo com o objetivo de diminuir ou cessar a atividade do tumor.
A aplicação da quimioterapia é definida pelo médico oncologista e pode ser realizada durante a internação ou em ambulatório. O tratamento quimioterápico pode ser realizado com um único medicamento ou através da combinação de vários deles (mistura de drogas e doses), por via intravenosa (na veia ou por catéteres) ou via oral (comprimidos ou cápsulas).
O tratamento pode ter indicação como terapia exclusiva, adjuvante ou neo-adjuvante. A terapia exclusiva é quando o principal tratamento adotado para combater o câncer é o de quimioterapia. Adjuvante, é geralmente o tratamento complementar aplicado após o tratamento primário, como a cirurgia, por exemplo. E, neo-adjuvante é o que precede a cirurgia, utilizado para diminuir o tumor e a agressividade do procedimento.
Em todos os casos, o tratamento é acompanhado pelo médico oncologista que avalia a eficácia da terapêutica adotada e decide, a partir dos resultados e das reações orgânicas de cada paciente, a necessidade de adotar algum ajuste em relação aos medicamentos. Além da quimioterapia, existem outros medicamentos utilizados no tratamento do câncer como antagonistas hormonais, anticorpos monoclonais e outras modalidades da chamada terapia alvo-dirigida.
Efeitos colaterais
O tratamento quimioterápico é complexo e pode ser mais ou menos agressivo, interferindo na produção de proteínas e bloqueando processos metabólicos comuns ao tumor e aos tecidos sadios (como medula óssea, couro cabeludo, pele e mucosas), que acabam sendo mais afetados de forma indesejada pela medicação.
Por isso, durante este tipo de tratamento efeitos colaterais podem ocorrer, variando em freqüência e intensidade, de pessoa para pessoa. Daí a importância da análise do oncologista em relação a fatores como idade, sexo, peso, condição de saúde e histórico médico, para determinar a melhor conduta de tratamento.
Sintomas mais comuns: anemia, fadiga, suscetibilidade a infecções (leucopenia), lesões orais (mucosite), náuseas e vômitos, diarréia e queda de cabelo (alopecia). Alguns desses efeitos são bastante transitórios, podendo ocorrer apenas por alguns dias após a aplicação da quimioterapia; outros podem durar um pouco mais ou, às vezes, persistir durante todo o tratamento. Mas, a maioria deles cessam após o término das sessões.
Em alguns casos os efeitos colaterais podem ser mínimos ou até inexistentes. Isso não significa que a quimioterapia não está fazendo efeito. É importante discutir todos os sintomas com seu médico que providenciará alívio para grande parte dos efeitos colaterais.
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Com base em seu conhecimento e experiência, o Hospital A.C. Camargo desenvolve forte trabalho com foco em diagnóstico precoce e prevenção do câncer. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que:
• 30% dos casos de câncer poderiam ter sido evitados com medidas de prevenção primária.
• 30% das mortes por câncer poderiam ter sido evitadas com diagnóstico precoce.
• 95% dos tumores diagnosticados precocemente são passiveis de cura.
Os dados da OMS são suficientes para mostrar a relevância do trabalho desenvolvido pelo Hospital A.C. Camargo que tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre os fatores de risco da doença e a importância do diagnóstico precoce como passo fundamental para se alcançar a cura.
O Hospital sempre apostou na informação como fator importante de suas ações direcionadas à prevenção do câncer. Ações bem-sucedidas, com foco em diagnóstico precoce e prevenção do câncer, praticadas pelo corpo clínico com foco no público interno – funcionários, pacientes e visitantes – integram o cotidiano do Hospital.
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Frequentemente, são realizadas pesquisas sobre os mais de 800 tipos de tumores identificados pela Medicina. Os resultados desses trabalhos podem propor novas abordagens e modalidades terapêuticas para o tratamento da doença. Assim, em uma proposta de atualizar as informações, reunimos um extenso material sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de cada um desses tumores.
Começamos com os tipos mais comuns e de maior incidência no Brasil propondo, em uma linguagem clara e objetiva, informações sobre os recursos terapêuticos disponíveis e sobre sintomas mais comuns, entre outras. Todo este material foi devidamente aprovado pelos médicos da equipe que trata o tumor em questão e por um conselho editorial.
No entanto, essas informações servem como base e não inviabilizam a necessidade da consulta com o médico, que tem condições de orientar o paciente, familiares e cuidadores sobre os procedimentos mais comuns para cada dúvida. Nosso objetivo é promover uma maior compreensão em relação as eventuais dúvidas que surgem durante o processo de tratamento do câncer.
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Câncer é a proliferação descontrolada de células anormais do organismo. As células normais do corpo vivem, se dividem e morrem de forma controlada. As células cancerosas são diferentes, não obedecem a esses controles e se dividem sem parar. Além disso, não morrem como as células normais e continuam a se proliferar e a produzir mais células anormais.
Essa divisão descontrolada das células é provocada por danos no DNA, o material genético presente em todas as nossas células e que comanda todas as suas atividades, inclusive as ordens para a célula se dividir. Na maior parte das vezes, o próprio DNA detecta e conserta seus erros. Nas células cancerosas, porém, o mecanismo de reparo não funciona. Esses defeitos no mecanismo de reparo podem ser herdados e estão na origem dos cânceres hereditários. Na maioria dos casos, porém, o DNA se altera por causa da exposição a fatores ambientais, entre eles, o fumo, sol, alguns vírus e alimentação.
As células cancerosas geralmente formam um tumor, uma massa de células com crescimento anormal. Existem exceções, como as leucemias, em que as células doentes estão presentes no sangue e percorrem o corpo todo. Freqüentemente, as células cancerosas se desprendem do tumor, viajam para outra parte do corpo onde passam a crescer e a substituir o tecido sadio, num processo chamado metástase.
Nem todos os tumores são cancerosos. Os chamados tumores benignos não têm a capacidade de se espalhar para outras partes do corpo, mas merecem atenção e podem exigir tratamento, dependendo do local onde aparecem.
Diferentes tipos de câncer têm comportamentos diferentes, exigem tratamentos diferentes até mesmo quando se trata de câncer do mesmo órgão. Há cânceres de próstata extremamente agressivos, de progressão rápida e outros menos agressivos, de desenvolvimento lento. Por isso, o tratamento é específico para cada caso.
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O peritônio é uma membrana que reveste a parte interna da cavidade abdominal e recobre órgãos como o estômago e os intestinos. Toda essa camada é rica em vasos do sistema linfático, que funcionam como sistema de defesa do organismo.
O câncer de peritônio pode ser classificado como primário ou secundário. Chama-se primário o câncer que se forma na própria membrana e secundário quando ele inicia em algum órgão da região - sobretudo intestinos, ovário, útero, estômago, pâncreas – e se implanta no peritônio.
O câncer primário de peritônio é conhecido como mesotelioma e também pode originar-se dele um carcinoma semelhante ao câncer de ovário. Já o câncer que vem de outros órgãos e se implanta no peritônio é conhecido como carcinomatose peritoneal.
Câncer primário no peritônio
O câncer primário no peritônio é considerado raro, acometendo algo em torno de quatro ou cinco pessoas numa população de 100 mil. Seus fatores de risco ainda não são muito bem conhecidos e a doença não apresenta sintomas específicos.
Quando progride, o câncer primário no peritônio favorece o aparecimento de nódulos, podendo causar dor abdominal e acúmulo de líquido. Como em qualquer tumor, quanto mais cedo é feito o diagnóstico, mais positiva é a resposta ao tratamento. O tratamento é baseado na quimioterapia, que ataca e minimiza o tumor. Em alguns casos, após reavaliação médica, se opta por procedimentos cirúrgicos que visam remover lesões residuais e por quimioterapia intraperitoneal hipertérmica.
Quando o peritônio é o segundo alvo
Mais frequentes do que os diagnósticos de câncer primário no peritônio são os casos em que um tumor de estômago, intestino ou ovário, por exemplo, cresce, se espalha e se implanta no peritônio. Nessas situações, células tumorais se desgrudam do órgão acometido e conseguem migrar e se implantar no peritônio, contribuindo para a disseminação da doença. É o que os médicos chamam de carcinomatose peritoneal. Quando a doença alcança esse estágio, os recursos terapêuticos abarcam desde quimioterapia até intervenções cirúrgicas.
Sintomas do câncer de peritônio
Os sintomas da doença podem incluir dor abdominal, massa abdominal, aumento da circunferência abdominal, distensão do abdômen, ascite (fluído no abdômen), febre, perda de peso, fadiga, anemia e distúrbios digestivos.
Tratamento
A carcinomatose peritoneal é tratada, habitualmente, com quimioterapia por via venosa. Nos casos de implantes peritoneais de tumor mucinoso de apêndice ou ovário (Pseudomyxoma peritonei) e mesotelioma, a melhor forma de tratamento é a cirurgia citorredutora que consiste na retirada de tudo aquilo que é visível e na lavagem da cavidade abdominal por uma hora e trinta minutos com uma solução contendo quimioterápicos aquecida até 42ºC. Essa modalidade de tratamento também pode ser usada para carcinoma primário do peritônio, câncer no ovário e intestino grosso, na maioria das vezes, após quimioterapia venosa.
O Hospital A.C.Camargo é pioneiro na cirurgia citorredutora associada à quimioterapia intraperitoneal hipertérmica. Iniciou esses procedimentos em 2001 tendo hoje, aproximadamente, 150 casos tratados com resultados iguais aos dos melhores centros de tratamento do mundo.
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